Geração Millennial. História, Características, Cultura e Curiosidades | MYTEMPOO
Geração Millennial.

A geração que aprendeu a mudar de mundo
Antes de procurar uma resposta na internet, era preciso encontrar alguém que soubesse.
Antes de ouvir qualquer música a qualquer hora, às vezes era preciso esperar que ela tocasse no rádio.
E antes de uma fotografia virar publicação, ela podia simplesmente ficar guardada em um álbum, ou esquecida em uma gaveta.
Não era um mundo perfeito.
Era apenas um mundo com outros ritmos.
A Geração Millennial cresceu enquanto esses ritmos começavam a mudar.
Viu a tecnologia sair de lugares específicos e ocupar cada vez mais espaço na vida cotidiana.
Acompanhou novas formas de conversar, trabalhar, estudar, descobrir músicas e manter amizades. Aprendeu a navegar por ferramentas que, em muitos casos, ainda estavam sendo inventadas ou transformadas.
Uma parte dessa geração conheceu a infância sem smartphones.
Outra chegou à adolescência quando os celulares e as redes sociais começavam a mudar a comunicação.
Algumas pessoas tiveram computador em casa; outras conheceram a internet na escola, na casa de amigos, em bibliotecas ou em lan houses.
Há também quem tenha vivido essas transformações muito mais tarde, porque tecnologia nunca chegou da mesma maneira para todo mundo.
É justamente aí que a história fica interessante.
Os Millennials não compartilham uma única infância, uma personalidade coletiva ou uma lista obrigatória de lembranças.
O que ajuda a compreender essa geração é o período de transformação em que muitos de seus integrantes cresceram.
Eles não conheceram apenas novas tecnologias.
Conheceram novas maneiras de viver.
1. Afinal, quem são os Millennials?
Também conhecida como Geração Y, a Geração Millennial costuma ser delimitada, em estudos do Pew Research Center, pelas pessoas nascidas entre 1981 e 1996.
Outros pesquisadores e instituições podem utilizar intervalos diferentes.
Gerações são ferramentas para estudar experiências históricas e sociais, não caixas capazes de explicar integralmente uma pessoa.
O nome Millennial ganhou força porque essa geração começou a chegar à vida adulta por volta da virada do milênio.
A expressão Geração Y também se popularizou como parte da sequência de nomes usada depois da Geração X.
Mas uma data no calendário não explica uma geração inteira.
Quem nasceu no início dos anos 1980 teve uma infância diferente de quem nasceu em meados dos anos 1990.
Para os primeiros, parte da adolescência aconteceu antes da expansão das redes sociais.
Para os últimos, a internet já fazia parte de um cenário cultural em transformação quando começaram a descobrir o mundo.
Entre esses extremos, existiram muitas versões da mesma época.
No Brasil, a experiência também variou conforme a região, a renda, o acesso à educação, a estrutura familiar e as oportunidades disponíveis.
Para algumas pessoas, o computador doméstico foi parte da infância.
Para outras, era um equipamento distante.
Para algumas, a internet chegou cedo; para outras, chegou quando já trabalhavam ou estudavam.
Por isso, dizer que alguém é Millennial não significa que essa pessoa goste das mesmas músicas, tenha os mesmos valores ou se comporte de uma maneira específica.
Significa, antes de tudo, que sua trajetória pode ser compreendida em relação a determinadas mudanças históricas que marcaram a passagem entre o fim do século XX e o início do século XXI.
E poucas mudanças foram tão profundas quanto a transformação da comunicação.
2. O mundo estava mudando enquanto eles cresciam
Imagine atravessar a infância, a adolescência e o começo da vida adulta em uma época na qual as formas de obter informação, encontrar entretenimento e manter contato com outras pessoas mudaram várias vezes.
Essa é uma das chaves para compreender a história Millennial.
Nos anos 1990, a televisão aberta ainda ocupava um lugar central no cotidiano de muitas famílias brasileiras.
Programas tinham horário marcado.
Novelas geravam conversas no dia seguinte.
A programação reunia pessoas diante da mesma tela, mesmo quando cada uma interpretava o que assistia de um jeito diferente.
A música também circulava por caminhos que exigiam alguma espera.
O rádio apresentava novidades; os CDs permitiam escolher o que ouvir; fitas e gravações pessoais ajudavam a organizar gostos e lembranças. O acesso a esses formatos, claro, dependia das condições de cada família.
O entretenimento tinha uma relação diferente com o tempo. Nem tudo estava disponível imediatamente.
Às vezes, era preciso esperar, procurar, emprestar ou combinar um encontro para compartilhar uma experiência.
Enquanto isso, o país atravessava suas próprias transformações políticas, econômicas e culturais.
A estabilização monetária associada ao Plano Real, em 1994, marcou uma mudança importante na vida econômica brasileira.
A abertura de novas possibilidades de comunicação e a expansão gradual do acesso à internet também começaram a alterar a relação de parte da população com a informação.
Em 1995, a internet comercial começou a ganhar espaço no Brasil.
O ambiente era muito diferente daquele que conhecemos hoje: as conexões eram limitadas, os recursos visuais da web ainda estavam em desenvolvimento e o acesso não era universal.
Para quem teve contato com a rede naquele período, conectar-se podia ser um acontecimento em si.
Para muita gente, porém, essa experiência só se tornaria cotidiana anos depois.
A mudança não aconteceu de uma vez.
Ela foi entrando pela casa, pela escola, pelo trabalho, pelos amigos e pelos lugares onde as pessoas se encontravam.
Primeiro, o computador podia ser uma novidade.
Depois, tornou-se uma ferramenta.
Mais tarde, a conexão passou a acompanhar o cotidiano por meio dos celulares e dos smartphones.
A história não mudou apenas porque os aparelhos ficaram menores.
Mudou porque a distância entre uma pergunta e uma resposta começou a diminuir.
Porque uma mensagem deixou de depender de uma ligação em determinado horário.
Porque a cultura passou a circular por redes cada vez mais amplas.
E porque o acesso à informação, antes concentrado em determinados meios e espaços, começou a assumir novas formas.
A Geração Y não foi a única responsável por essa transformação.
Foi uma das gerações que precisaram aprender a viver dentro dela.
3. A cultura Millennial: quando as referências viravam memória

Toda geração tem seus repertórios culturais.
São músicas, programas, filmes, jogos, expressões e pequenas experiências que ajudam a reconhecer uma época.
Na trajetória Millennial, muitas dessas referências passaram por uma mudança curiosa: aquilo que antes era novidade acabou se tornando memória.
Para uma parte dos brasileiros que cresceram nos anos 1990 e 2000, a televisão era uma espécie de praça pública doméstica.
Desenhos, programas de auditório, novelas, seriados e transmissões esportivas podiam criar assuntos compartilhados entre pessoas que nem sempre tinham as mesmas preferências.
O cinema também oferecia experiências diferentes das atuais formas de assistir a conteúdo sob demanda.
Ir ao cinema, alugar um filme ou esperar que ele chegasse à televisão fazia parte de uma sequência de escolhas.
O catálogo disponível não cabia inteiro no bolso e, em muitos casos, nem na sala de casa.
Nas músicas, a variedade era grande.
Rock brasileiro, pop internacional, hip-hop, pagode, axé, sertanejo e muitos outros estilos conviveram em diferentes espaços e momentos. A importância de cada um dependia da região, do grupo social, das rádios ouvidas e das experiências pessoais.
Não existia uma única trilha sonora Millennial. Existiam muitas.
O mesmo vale para os jogos. Consoles, computadores, jogos de celular e partidas compartilhadas com amigos fizeram parte de infâncias e adolescências distintas.
Para algumas pessoas, jogar significava reunir a turma em torno de uma televisão.
Para outras, a experiência foi marcada por jogos de computador, lan houses ou dispositivos portáteis.
A internet acrescentou outra camada à cultura.
Fóruns, salas de bate-papo, mensageiros instantâneos, blogs e comunidades virtuais permitiram que interesses específicos encontrassem pessoas do outro lado da cidade ou do mundo.
A cultura deixou de circular apenas pelos grandes canais e começou, gradualmente, a ganhar novos espaços de encontro.
E então vieram as redes sociais, que transformaram não apenas a maneira de descobrir referências, mas também a forma de exibi-las, comentá-las e incorporá-las à própria identidade.
Uma música podia deixar de ser apenas uma música. Podia representar uma amizade, uma fase da vida, uma viagem ou uma pessoa que já não fazia parte da rotina.
É por isso que a nostalgia cultural não se resume a sentir falta de um aparelho antigo.
Às vezes, o que sentimos falta é do contexto em que aquele aparelho existia: as pessoas por perto, a expectativa, o tempo disponível e a sensação de estar descobrindo algo pela primeira vez.
A lembrança não guarda apenas o que aconteceu. Guarda um pouco de quem éramos quando aconteceu.
4. Entre o analógico e o digital: a adaptação virou parte da história

Para entender a experiência Millennial, vale imaginar duas situações.
Na primeira, alguém quer descobrir uma música.
Pode ouvir o rádio, conversar com um amigo, procurar um CD ou esperar uma gravação. Na segunda, abre um aplicativo e encontra milhares de opções em poucos segundos.
Nenhuma das duas experiências é automaticamente melhor em todos os sentidos.
A primeira envolve limitações e espera; a segunda oferece rapidez e variedade.
Uma pode favorecer a expectativa em torno de uma escolha; a outra facilita descobrir algo inesperado. Ambas podem criar memórias.
A diferença está no ambiente em que as escolhas acontecem.
Em parte da trajetória Millennial, a música passou de objetos físicos para arquivos digitais e, depois, para serviços de streaming.
As fotografias saíram de álbuns e câmeras dedicadas para celulares e plataformas sociais. A comunicação passou de chamadas e encontros combinados para mensagens que podem chegar quase a qualquer hora.
Essas mudanças trouxeram conveniência, acesso e novas possibilidades de expressão.
Também criaram outras expectativas: responder mais rápido, estar disponível, acompanhar atualizações e administrar uma quantidade de informação que não para de crescer.
O passado não era livre de frustrações.
Perder uma gravação, esperar por uma ligação ou não conseguir encontrar determinada informação também fazia parte da vida.
O presente não é apenas excesso. Ele oferece recursos que antes seriam difíceis de imaginar.
O contraste mais interessante está em como as pessoas se adaptam.
Alguém pode utilizar ferramentas digitais no trabalho e continuar gostando de guardar fotografias impressas.
Pode consumir música por streaming e manter CDs de uma época importante.
Pode conversar o dia inteiro por mensagens e ainda preferir encontrar um amigo pessoalmente para falar sobre algo sério.
Essas combinações não são incoerências.
São sinais de que a mudança tecnológica não substitui instantaneamente hábitos, afetos e preferências.
A pessoa aprende o novo sem necessariamente abandonar tudo o que veio antes.
E a tecnologia, por mais presente que esteja, não elimina a necessidade de escolher o que merece nossa atenção.
5. Características e contradições: uma geração não cabe em um meme

